Por que caiu tanto granizo em Ponta Grossa? Especialistas explicam; leia

Além de deixar estragos em diversas vilas nesta segunda-feira (24), o temporal de granizo em Ponta Grossa também chamou atenção dos moradores devido à alta quantidade de granizo que caiu durante a tempestade.

Ruas foram tomadas por pedras de gelo, criando um "tapete branco" pelo asfalto e vegetações. O grande volume exigiu que motoristas reduzissem bastante a velocidade e até mesmo parassem de trafegar para evitar acidentes. Pedestres chegaram a ser atingidos por pedras de granizo, sem ferimentos maiores, mas com a necessidade de se abrigar em comércios e casas de desconhecidos.

Granizo em Ponta Grossa
Rua tomada pelo gelo em Ponta Grossa

Granizo em Ponta Grossa

O Fornazari.com ouviu a a técnica em meteorologia Jaqueline Estivallet e a professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Karin Linete Hornes, que estudas eventos climáticos como tornados e ciclones, e esteve recentemente em Rio Bonito do Iguaçu.

Jaqueline explica que já havia uma indicação de granizo para o Paraná, mas que a queda se concentrou em Ponta Grossa.

"Havia uma previsão nos modelos meteorológicos de queda de granizo no Paraná, um cavado em 500 hectopascais [área de baixa pressão atmosférica] com temperatura de -14C, e que atuou exatamente sobre a região de Ponta Grossa e arredores. Como a atmosfera estava muito instável, as nuvens se desenvolveram muito rapidamente e atingiram topos muito gelados, ocasionando esse acúmulo sobre Ponta Grossa, com um núcleo bem localizado", destaca.

Em uma hora, entre 18h e 19h, a temperatura em Ponta Grossa caiu bruscamente, registrando uma diminuição superior a 10 graus, saindo de 21,1º para 10,1º. Essa diminuição acentuada é sentida logo após a passagem do temporal com granizo.

"Quando esse granizo, quando essa nuvem, encontra áreas de relevo, como a escarpa [devoniana, presente na nossa região], por exemplo, começa a entrar em desequilíbrio, e aí acaba precipitando uma grande quantidade de granizo. Esse granizo todo desceu para a superfície e provocou queda de temperatura. Por isso que a gente sente esse ar frio logo após a passagem de granizo", explica a professora Karin. Veja os dados abaixo do sistema de monitoramento da Fundação ABC.

A técnica em meteorologia, Jaqueline Estivallet, também detalha que "a célula (nuvem) se desenvolveu rapidamente e adquiriu muito tamanho, ficando exatamente dentro da área fria no cavado, área gelada, que propiciou a formação de uma grande área de precipitação de granizo".

Ela completa: "Havia muitas áreas com pressão baixa [na região, em roxo] e havia também um sistema de alta pressão, no Oceano, que ajudou a resfriar os níveis superiores da atmosfera, gerando o granizo. Observa como o ar gelado entra e se encontra com a área mais aquecida em superfície".

Ter chovido rapidamente logo após a formação das nunves colaborou para que o granizo não fosse ainda mais severo. "O granizo só não foi maior, porque a nuvem precipitou rapidamente, se ela tivesse crescido mais, desenvolvido mais altitude e topo mais gelado, o granizo poderia facilmente passar dos 5 cm".

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