Bolsa Família: Presidente da FIEP cita eventuais fraudes e diz que pessoas "não querem voltar a trabalhar"

Dirigente afirma que benefício tem causado mudança cultural, desestimula o trabalho e afeta a indústria

O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP) afirmou que eventuais fraudes em programas sociais e o uso contínuo do Bolsa Família têm provocado uma mudança cultural no país, levando parte da população a optar por não retornar ao mercado de trabalho. A declaração foi feita ao comentar os impactos das políticas sociais sobre a economia, a produtividade e a disponibilidade de mão de obra no setor industrial.

“O benefício está causando uma mudança cultural no país. Pessoas já publicam que não querem voltar a trabalhar, que entendem o benefício como um direito permanente. E não é assim que funciona”, declarou.

Segundo ele, o Bolsa Família é necessário para atender quem realmente precisa, mas deve ser temporário e funcionar como uma fase de transição, não como uma política permanente.

“Nós não somos contra o benefício, ele é importante. Mas tem que ser temporário, específico, a pessoa tem que sair dali.”

FIEP defende combate a fraudes no Bolsa Família

O presidente da entidade industrial afirmou que a FIEP já atua, em parceria com municípios paranaenses, em projetos-piloto para identificar e combater fraudes no Bolsa Família, citando como referência uma experiência realizada no estado de Pernambuco.

“O Estado de Pernambuco descobriu uma metodologia de cruzamento de dados. Tinha beneficiário com carro, empresa, funcionário público.” Segundo ele, a iniciativa revelou irregularidades em larga escala. “De 1,6 milhões de beneficiários, 600 mil estavam fraudando.”

O modelo adotado não previa cancelamento imediato, mas o congelamento do benefício, exigindo que o beneficiário comprovasse a real necessidade. “Quando criaram um protocolo de congelamento, se descobriu que muitos nem iam atrás, porque sabiam que estavam fraudando.”

De acordo com o dirigente, experiências semelhantes estão sendo testadas no Paraná, com resultados que reforçam a preocupação da indústria. Na avaliação do presidente da FIEP, o combate às fraudes é uma questão social e econômica.

“Fraudes não se negociam, fraudes se combatem, até porque a fraude tira da fila aquelas pessoas que têm real necessidade.”

Ele afirma que existem pessoas em situação de vulnerabilidade que não conseguem acessar o benefício justamente por causa das irregularidades, ao mesmo tempo em que empresas enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.

Presidente da FIEP Bolsa Família Edson Vasconcelos
Presidente da FIEP, Edson Vasconcelos, à direita, fala em coletiva de imprensa - Foto: Gelson Bampi/FIEP

Sondagem e a preocupação do setor industrial com a economia

As falas do presidente da FIEP ocorrem no contexto da 30ª edição da Sondagem Industrial, divulgada nesta segunda-feira (2), que revela queda no otimismo da indústria paranaense e uma percepção cada vez mais crítica sobre o ambiente de negócios no Brasil.

Segundo o levantamento, 55% das indústrias do Paraná estão otimistas em relação ao desempenho de seus negócios em 2026, uma redução de seis pontos percentuais em comparação com 2025.

O cenário nacional também é citado como preocupação na sondagem, já que 46% dos industriais paranaenses acreditam que a economia brasileira deve entrar em retração.

Corrupção lidera lista de entraves ao ambiente de negócios

Ao serem questionados sobre os principais fatores que prejudicam o ambiente de negócios no país, os industriais apontaram:

  • Corrupção: 83%
  • Conjuntura econômica nacional: 74%
  • Agenda de reformas: 62%
  • Políticas sociais governamentais: 50%

Crítica à expansão fiscal baseada em políticas sociais

Vasconcelos afirmou que o modelo atual de políticas sociais gera impactos diretos sobre os custos das empresas e o crescimento econômico.

“Percebemos uma expansão fiscal muito grande baseada no aumento de custos com políticas sociais equivocadas, que não entregam a efetiva recuperação ou inserção social do beneficiário ao emprego e renda.”

Segundo ele, a falta de integração entre políticas sociais e mercado de trabalho compromete o crescimento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB).

Produtividade: indústria aposta em processos e qualificação

Apesar do cenário adverso, a indústria paranaense segue buscando alternativas para elevar a produtividade. A sondagem mostra que as principais estratégias adotadas são:

  • Melhoria do processo produtivo: 75%
  • Qualificação profissional: 64%
  • Estratégias de gestão: 36%
  • Automação e robotização: 26%

O levantamento indica que a maioria das empresas ainda depende mais de eficiência operacional e capacitação do que de grandes investimentos tecnológicos.

Uso de inteligência artificial cresce, mas segue restrito

Um dos destaques da pesquisa foi o aumento no uso de ferramentas de inteligência artificial, apontado por 15% dos entrevistados, um crescimento de sete pontos percentuais em relação à edição anterior da sondagem.

Mesmo assim, o índice ainda é considerado limitado diante dos desafios de competitividade enfrentados pela indústria brasileira.

Dados disponíveis

Os resultados completos da pesquisa estão disponíveis no site sondagemindustrial.org.br ou também neste arquivo abaixo.

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