Prefeitura publica aumento de R$ 24,84 no vale-alimentação de servidores municipais

A Prefeitura de Ponta Grossa oficializou reajuste de 4,14% no vale-alimentação dos servidores, o que dará R$ 24,84 de reajuste. Enquanto mantém a política de reposição limitada à inflação, o governo municipal se vê envolto a críticas por falta de diálogo e risco de estado de greve.

RESUMO
Decreto amplia benefício, mas não encerra tensão com funcionalismo.

  • Vale passa a R$ 624,84 a partir de abril
  • Prefeitura mantém posição de repor apenas inflação
  • Servidores convocam assembleia e podem decretar estado de greve

Decreto oficializa reajuste de R$ 24,84 no vale-alimentação

A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, e o procurador-geral do Município, Gustavo da Matta, assinaram decreto que concede reajuste de 4,14% no auxílio-alimentação dos servidores municipais. A medida é retroativa a 1º de abril de 2026 e eleva o benefício mensal para R$ 624,84, a ser quitado no último dia útil deste mesmo mês.

O texto, assinado com base na Lei Municipal nº 14.210/2022, estabelece:

“Fica concedido, a partir de 1º de abril de 2026, o reajuste de 4,14% (quatro vírgula quatorze por cento) no valor do benefício-alimentação (...) passando o benefício a corresponder ao valor mensal de R$ 624,84”.

O reajuste acompanha a variação inflacionária do período divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e confirma a indicação dada pelo secretário da Fazenda, Claudio Grokoviski, em entrevista ao Fornazari.com.

Sem aumento real

A atualização do vale reforça o posicionamento já manifestado pela Prefeitura de que não concederá aumentos reais aos servidores neste momento.

O governo municipal indicou que seguirá “rigorosamente” a legislação vigente, limitando-se à recomposição inflacionária, tanto na data-base salarial em maio quanto em benefícios, como o vale-alimentação agora em abril.

A administração argumenta que o cenário fiscal é restritivo, com queda de receitas e necessidade de controle de despesas, o que inviabilizaria reajustes acima da inflação.

 “Se não conseguimos ir acima da inflação neste ano, é porque temos responsabilidade fiscal. Não vamos gastar acima daquilo que é possível”, aponta Grokoviski ao confirmar que a reposição inflacionária é uma obrigação legal. "A gente tem por obrigatoriedade fazer no mínimo o repasse inflacionário”. Porém, vale esclarecer que a lei não limita o reajuste à inflação, mas exige que o mínimo repassado seja a correção do período.

Sem conversa

Do outro lado, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindServ) mantém a reivindicação de reajuste de 15% nos salários e aumento de 50% no vale, além de exigir uma reunião pessoal com a prefeita Elizabeth. O Fornazari.com questionou a Prefeitura sobre a possibilidade, mas não recebeu resposta até o momento.

A categoria também critica a ausência de negociação direta com o Executivo. Representantes sindicais afirmam que os pedidos foram protocolados há mais de um mês sem resposta formal e sem abertura de mesa de diálogo presencial com a prefeita.

"Estamos dando a possibilidade mais uma vez para a prefeita sentar com o sindicato para iniciar essa mesa de negociação, que até então não foi iniciada presencialmente”, afirma Luiz Pleis, presidente do Sindserv.

Além da questão salarial, os servidores apontam problemas estruturais, como sobrecarga de trabalho, terceirizações e defasagem de pessoal em setores da administração.

Vale-alimentação Protesto Servidores Ponta Grossa
Servidores exigem reunião com a prefeita e podem deferir estado de greve em Ponta Grossa - Foto: Sara Dalzotto

Impasse pode evoluir para estado de greve

A tensão entre servidores e Prefeitura se intensificou nas últimas semanas, com paralisações e mobilizações em frente ao Paço Municipal.

Agora, a categoria se prepara para uma nova assembleia, marcada para esta quarta-feira (15), às 18h15, quando poderá deliberar sobre a decretação de estado de greve.

O movimento é visto como um passo intermediário antes de uma possível paralisação mais ampla dos serviços públicos municipais.

Segundo lideranças sindicais, a falta de avanço nas negociações e a manutenção da política de reposição apenas inflacionária têm ampliado a insatisfação da base.

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